É cada vez mais acentuado o insucesso de quem deseja ingressar no mercado
de trabalho e acaba sendo discriminado por não falar uma segunda língua ou não
consegue o emprego desejado por falta dessa qualificação.
Segundo uma pesquisa realizada e divulgada na 31ª edição da Pesquisa Salarial
e de Benefícios da Catho Online, existe maior possibilidade de contratação e valorização,
candidatos que possuem uma segunda língua.
Diante disso, as empresas estreitam cada vez mais o funil para seleção de empregados.
Algumas instituições consideram ainda que, pessoas bilíngües sejam mais capacitadas,
rápidas e eficientes.
Comprovadamente, a Universidade de Jaume I, Espanha, realizou uma pesquisa e constatou que de fato, pessoas que falam mais de um idioma possuem tais características e em certas tarefas em que as funções executivas – que envolvem a capacidade de engajamento em comportamento orientado a objetivos, realizando ações voluntarias e auto organizadas – tais características são necessárias; em suma, segundo essa pesquisa, o cérebro dessas pessoas funciona de forma diferente.
A analista de recursos humanos da SulAmérica Seguros, Fernanda Mendes,
considera que embora o conhecimento em uma segunda língua seja desejável, para cargos em que não haverá o exercício do segundo idioma, o unilíngüe não deixará de concorrer a oportunidade igualmente, nem tão pouco será visto como menos capacitado ou eficiente.
Segundo a analista, analisar o nível de capacidade do candidato por uma qualificação
especifica não é garantia de que seja um bom profissional, porque é uma avaliação apenas do aspecto técnico. Contudo, declarou também que o conhecimento em um segundo idioma, atualmente, vem sendo fundamental para que o candidato consiga um espaço no mercado de trabalho, não ficando condicionado apenas as vagas em que o idioma estrangeiro não é exigido, ampliando assim seu leque de opções.
A estudante Camila Pires, 20 anos, cursa o 4º período de marketing na Universidade Veiga de Almeida e contou que deixou de se candidatar a várias oportunidades de estágio pela falta do inglês fluente, que embora não fosse ser utilizado para desempenho de suas funções foi pré-requisito para se candidatar a vaga. Relatou também que ao participar de alguns processos seletivos, os entrevistadores e analistas de RH indagaram aos participantes se os mesmos possuíam conhecimento em algum idioma.
“Se algum candidato tem um idioma avançado ele pode ganhar a vaga e ninguém fala de forma especifica que foi isso” opinião do estudante do 6º período de publicidade e propaganda da Gama Filho, Vinicius Mallet, 26 anos, que acredita também, que em um processo seletivo que participou a falta de fluência no inglês o fez perder a vaga e embora reconheça a importância que um segundo idioma avançado faz, exigir essa qualificação
como requisito principal em alguns casos só serve para criar mais uma dificuldade.
A professora de dança e bailarina clássica Graciele Espindola, em formação pela Escola Municipal de dança Anna Pavlova, relatou que é fundamental que se tenha bons conhecimentos de francês, uma vez que, a nomenclatura dos movimentos é em francês.
“Para ser um bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, por exemplo, além de ter que ter uma boa formação, quem não sabe falar ou não tem bons conhecimentos além do francês, em inglês, não consegue oportunidade” declarou a bailarina.
A deficiência do inglês implica também na formação de estudantes universitários de alguns cursos onde não há bibliografia traduzida e é crucial que tais livros sejam utilizados para estudo.
A estudante de ciências contábeis da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Cíntia Cavalcante, contou que as normas contábeis – normas da contabilidade com que são feitas demonstrações, onde estão contidas orientações para o contador não cometer certos erros e liquidar fraudes - são lançadas nos Estados Unidos, e embora haja no Brasil o CVM – Comissão de Valores Mobiliários – órgão que emite tais normais traduzidas, segundo um de seus professores o mercado vêm exigindo cada vez mais o conhecimento avançado em inglês.
Afim de que mais pessoas possam ter a oportunidade de se inserir no mercado de trabalho, o governo vem investindo para o aprendizado de outra língua, principalmente o inglês, iniciativa que visa também atender ao contingente número de vagas de emprego que surgirão decorrentes da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Há além dos cursos de idiomas particulares, escolas de ensino público regular e profissionalizante que oferecem ensino básico, intermediário e avançado de inglês, espanhol e francês como cursos extracurriculares.
São cursos acessíveis a todos no qual o candidato pode inscrever-se de acordo com os critérios requisitados para matrícula e dentro dos prazos estabelecidos.