A quadrilha, para os que desconhecem, é basicamente uma dança típica do folclore brasileiro, que teve sua origem na França e que se desenvolve entre casais. Em geral, para a prática da dança é preciso a presença de um marcador que tem a função de determinar as figurações diversas que os dançarinos devem desenvolver.
Mais do que uma simples manifestação cultural, o que poucos sabem é que existem federações por estado, e que acontecem torneios sazonais entre os grupos juninos com destaque, prêmios e troféus.
A CONAQJ, Confederação Nacional de Quadrilhas Juninas e Grupos Folclóricos, tem o objetivo de resgatar, incentivar, e movimentar a cultura junina o ano inteiro. Com a força de parceiros: Arraia Brasil, Arraia Elétrico O bloco, Campeonato Brasileiro de Quadrilhas Juninas entre outros, além das federações de todo o Brasil, a CONAQJ, se mantém com o propósito de levar seriedade, responsabilidade e dignidade em todos os seus projetos.
Segundo seu presidente, Michael Helry, durante os dez anos que passou estudando sobre os festejos, amadureceu a ideia de criar, junto com outras pessoas envolvidas na área, a Confederação Nacional de Quadrilhas Juninas , na qual a proposta inicial foi a de criar uma entidade que trabalha não só com os festejos juninos, mas com ações que visam desenvolver o movimento, para tentar revitalizar cada vez mais os festejos juninos. "A nossa primeira grande ação foi a realização do I Fórum Brasileiro de Quadrilhas Juninas, que aconteceu em Sergipe nos dias 16 e 17 de abril de 2011, e trouxe pessoas de todo o país para discutir melhorias para os festejos. Nós convidamos essas pessoas para fazer o evento com o intuito de realizar esse debate entre quadrilheiros e gestores públicos para poder fortalecer cada vez mais os festejos juninos".
As quadrilhas juninas são a marca da identidade do folclore brasileiro, que a muito foi esquecida e reconfigurada.
Atualmente, as grandes mudanças no conceito artístico contemporâneo, decorrentes também do avanço cultural e tecnológico acarretam na "adequação e atualização" destas festas, onde ritmos e bandas não tradicionais aos tipicamente vivenciados, são acrescentadas as grades e programações de festas regionais, incentivando o maior interesse de novos públicos.
Os diferenciais desse estilo de dança varia conforme a proposta a que se destina e os costumes regionais da qual originam-se.
O quadrilheiro a mais de uma década, Renan Oliveira, esclarece que as quadrilhas têm o objetivo de entreter o publico. E que a abordagem das apresentações variam de acordo com a proposta a que se destinam.
"Por exemplo, as quadrilhas de rua buscam entreter, competir; suas roupas são mais pesadas, glamourosas e em geral muito mais bonitas, dão muito trabalho para serem confeccionadas e o investimento que requerem varia entre R$ 300 a R$ 600; as marcações são mais bem elaboradas e prezam pela originalidade da cultura de quadrilha."
"As quadrilhas de igreja, além do entretenimento, tem um significado mais profundo, que é o de evangelizar e atrair os jovens, mostrando através da dança que é possível ser um homem de fé e se divertir. Os movimentos são mais livres e espontaneos; As roupas são mais leves, simples e o custo para produção é bem menor comparado as quadrilhas de rua. Varia entre R$ 150 a R$ 300"
Renan explica também que no caso das quadrilhas feitas nas escolas, tradicionalmente no meado dos anos, são quadrilhas mais simples, com o objetivo de animar as comemorações juninas. As vestimentas normalmente são compradas prontas e o custo total não supera R$100.
Sendo o folclore, uma manifestação cultural de origem popular transmitida por histórias passadas de geração em geração, é preciso cada vez mais haver incentivos do governo e da sociedade que nasceu até inícios dos anos 80 para fazer os jovens da chamada geração Y, despertarem para os costumes tradicionais da cultura brasileira. Festivais da região nordeste chegam até ser televisionados pela Rede Globo.
O Sr. Edson Ramos, nascido em meados da década de 50, tradicionalista, relembra que as festas juninas e quadrilhas na sua época de adolescente, aconteciam nas ruas, eram comemorações saudáveis e que respeitavam as tradições e costumes da roça. As roupas eram feitas em casa, utilizando como matéria prima principal a criatividade
Cenário diferente do que encontramos atualmente, em que algumas festas juninas têm único propósito capitalista e contam com patrocinadores poderosos para sua realização.


